A PASCOM (Pastoral da Comunicação) esteve reunida hoje, nas dependências do Salão Paroquial com o objetivo de se reestruturar na Paróquia São Manoel de Mutum, rever como anda suas ferramentas de atuação e ampliar seu campo.
Silvana Lucas é nossa nova agente, nosso contato com o Grupo de Oração RENOVO e atividades ligadas à comunidade Nossa Senhora Aparecida.
O texto abaixo é o texto refletido no encontro. Leia e decida você também a fazer parte da Pastoral da Comunicação (PASCOM).
DIRETRIZES DA PASTORAL DA COMUNICAÇÃO
Missão
“Testemunhar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo”.
A Pastoral da Comunicação testemunha e anuncia o Evangelho de Jesus Cristo, promovendo a comunhão e a participação ativa no processo comunicacional e consolidando a missão da Igreja por meio da comunicação.
Definição
“É a pastoral do ser e estar em comunhão com a comunidade. É a pastoral da acolhida, da participação, das inter-relações humanas, da organização solidária e do planejamento democrático do uso de recursos e instrumentos de comunicação” (doc. 75 – Igreja e Comunicação - CNBB)
A Pastoral da Comunicação é o organismo que deve aproximar-se dos meios de Comunicação e colocá-los a serviço da divulgação da mensagem de Cristo, proclamando a partir dos telhados (cf MT. 10, 27; Lc 12,3) a mensagem da qual é depositária.
E João Paulo II vem confirmar este anseio da Igreja quando diz que “não é suficiente usar os meios de comunicação para difundir a mensagem cristã e o Magistério da Igreja, mas é necessário integrar a mensagem nesta “nova cultura”, criada pelas modernas comunicações... Com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes psicológicas”. (Redemtoris missio).
Objetivo Geral:
As diretrizes da Pascom têm como objetivo principal consolidar a missão da Igreja por meio da comunicação.
Organizar e animar a Pastoral da Comunicação, para que ela seja um instrumento eficaz e ajude permanentemente as paróquias e, por conseguinte a diocese a cumprir sua missão de anunciar a Cristo de modo planejado.
O fortalecimento do processo dialógico enaltece qualidades existentes na comunidade como a acolhida, o amor fraternal e a compreensão da complexidade das relações pessoais e a superação dos desafios, tornando comum as diferenças e assumindo em conjunto o projeto evangélico da instalação do Reino de Deus entre nós.
Princípios:
A PASCOM pode e deve ajudar a Igreja a cumprir o mandado de Cristo, de “que amemo-nos uns aos outros.” (1Jo 3,11). Para que se cumpra este pedido, é preciso aproximar as pessoas, criar um ambiente dialógico e de respeito mútuo, aproveitando a diversidade de dons para a edificação da comunidade. Cabe ao agente de comunicação, usar de sua criatividade e os meios disponíveis e cabíveis a cada situação para interagir e criar este espaço.
A Pastoral da Comunicação, portanto, procura ajudar na integração da comunidade e, ao mesmo tempo, participar da ação da comunidade na sociedade, sempre sem perder de vista a construção do Reino a que somos chamados por Cristo.
A outra dimensão da Pastoral da Comunicação aponta para a relação da Igreja com todos os diversos segmentos da sociedade e os diferentes meios de comunicação. Nessa relação, a Igreja se utiliza de todos os instrumentos possíveis para cumprir sua missão.
Não se deve, contudo, reduzir a Pastoral da Comunicação exclusivamente ao uso dos instrumentos ou recursos da comunicação, como os meios impressos ou audiovisuais, sem a devida reflexão sobre o papel desses instrumentos no processo de comunicação da comunidade eclesial. Tal simplificação pode favorecer ou fortalecer o monopólio da fala no interior da Igreja, comprometendo a Pastoral de Conjunto, além de propiciar um contra testemunho do verdadeiro sentido dos processos de comunicação como ação evangelizadora.
A Pastoral da Comunicação, desse modo, perpassa, pela própria razão de ser, as ações das demais pastorais, animando-se e colocando-se a seu serviço, tendo como referencial programático a Pastoral da Conjunto.
Linhas de Ação: Paroquiais -
- Fazer reuniões periódicas com a equipe paroquial e com o pároco;
- Produzir boletim interno da Comunidade;
- Produzir o Jornal da Comunidade;
- Auxiliar na produção do folheto de avisos;
- Manter o Jornal Mural;
- Fazer o registro em vídeo e foto das celebrações e eventos;
- Organizar grupos de Leitura Crítica da Comunicação;
- Manter um programa de Rádio;
- Gerenciar o site paroquial;
- Auxiliar no uso do Datashow;
- Colaborar com a Assessoria de Imprensa da Diocese, enviando informações, a serem repassadas aos veículos de comunicação diocesanos;
- Manter um representante responsável por integrar a Rede de Comunicadores Diocesana.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
CÍRIO PASCAL
04/04/2012
Cristo Ressuscitado, Luz que dissipa as trevas do nosso coração e da nossa mente!
Ao clarão da lua cheia, fora da igreja, iniciamos a Vigília Pascal. Presenciamos o acendimento de uma vultosa fogueira, a benção do fogo, a preparação do Círio Pascal e o acendimento do Círio com o fogo novo. Seguimos o Círio Pascal aceso, acompanhado de incenso, em procissão para dentro da igreja. Aos poucos, acendemos nossas velas no Círio. Por que fazemos isso?
O Círio Pascal é, desde os primeiros séculos, um dos símbolos mais expressivos da Vigília. No meio da escuridão, de uma fogueira previamente preparada, acende-se o Círio (a palavra círio vem do latim, cereus, de cera, produto das abelhas). O Círio é símbolo de Cristo-Luz, do Cristo Ressuscitado que vence as trevas com a sua luz: “A luz de Cristo que resplandecente ressuscita, dissipe as trevas do nosso coração e da nossa mente” (Missal Romano. Frase de acendimento do Círio Pascal). É símbolo de Cristo Ressuscitado que vence toda escravidão.
O Círio Pascal é chama que ilumina e arde sem cessar como a sarça ardente. É coluna de fogo a nos guiar como na caminhada do povo no deserto. Seguindo o Círio Pascal seguimos Cristo ressuscitado, nosso Senhor e luz do mundo, através do deserto da vida presente em direção à pátria celeste: “quem me segue não andará nas trevas”.
Ao acendermos nossas velas à luz do Círio Pascal, expressamos nossa participação na vida do Ressuscitado, na vitória sobre as trevas, sobre a morte. Recordamos que somos luz do mundo, num clima de alegria, de espera pela vitória do ressuscitado. Saímos pelas ruas cantando a nossa ressurreição e nossa vitória no Ressuscitado com nossas velas acesas no Círio.
Quando iniciamos a Vigília Pascal, não pomos em evidencia a benção do fogo, mas a Luz que surge das trevas e as combate. Saímos da noite, da escuridão, e alcançamos a aurora, o novo dia. Assim, viver na Luz é viver longe do pecado e do mal.
No Círio Pascal, encontramos não só o simbolismo da luz. Encontramos, também, o simbolismo de oferenda, como cera que se gasta em honra de Deus, espalhando a sua luz. Vamos percebendo que o sentido da nossa vida está em oferecê-la a Deus e a humanidade em verdade e amor como o Círio se transforma em luz e calor.
Em meio ao clarão da lua cheia e da fogueira, o Círio Pascal é o sinal principal. A dignidade e o significado do Círio são sublinhados com alguns símbolos: grava-se no Círio a Cruz, o ano da celebração pascal e a primeira e a ultima letra do alfabeto: A e Z. Cravam-se cinco grãos de incenso que simbolizam as chagas gloriosas de Cristo. O Círio, “pela verdade do sinal, deve ser de cera, novo cada ano, único, relativamente grande, nunca artificial, para poder recordar que Cristo é a luz do mundo” (CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Celebração das festas pascais, n. 82). Estar frente ao Círio Pascal é estar frente a Cristo!
Porém, não é o que percebemos em muitas comunidades. Há Círios reutilizados do ano anterior. Círios pequenos que parecem uma vela qualquer do que “coluna de fogo”. Círios com plásticos colados sem formosura e beleza. Como cantar no Exulte: “A cera virgem da abelha generosa ao Cristo ressurgido trouxe a luz” se reutilizamos o círio velho trocando apenas a inscrição do ano anterior pelo ano presente? Como cantar “Ó noite em que a coluna luminosa as trevas do pecado dissipou...”, se compramos “cirinhos” nanicos, com plásticos colados, sem arte e beleza?
Os símbolos estão no coração da liturgia e sem eles não nos é possível celebrar. Como desvalorizar o Círio Pascal, símbolo tão importante de nossa liturgia, símbolo que re-presenta, aos olhos de nossa fé, o Cristo Ressuscitado? Na Vigília Pascal deste ano, deixemos aparecer a realidade significada no sinal sensível do Círio Pascal aceso: o Cristo Ressuscitado, Luz que vence as trevas da morte e clareia também as trevas de nossas vidas. A luz que se acende fora de nós, clareie as trevas de nossa mente, nosso coração, nosso corpo interior e nossa vida. Gere vida, fé, alegria e esperança. Que o Círio Pascal continue aceso em todas as celebrações do tempo pascal até pentecostes. E como o Domingo é nossa Páscoa semanal, acendamos, também, o Círio a cada celebração dominical (menos no advento e na quaresma).
“Estar frente ao Círio Pascal é estar frente a Cristo!”
Fonte: Padre Luciano dos Santos - Coordenador Pastoral
sexta-feira, 11 de abril de 2014
O MONGE, O GATO E A LUA
Perder-se para encontrar-se: o monge, o gato e a lua
10/04/2014
O homem moderno perdeu o sentido da contemplação, de maravilhar-se diante das águas cristalinas do riacho, de encher-se de espanto face a um céu estrelado e de extasiar-se diante dos olhos brilhantes de uma criança que o olha interrogativa. Não sabe o que é o frescor de uma tarde de outono e é incapaz de ficar sozinho, sem celular, internet, televisão e aparelho de som. Ele tem medo de ouvir a voz que lhe vem de dentro, aquela que nunca mente, que nos aconselha, nos aplaude, nos julga e sempre nos acompanha. Essa pequena estória de meu irmão Waldemar Boff, que tenta pessoalmente viver no modo dos monges do deserto, nos traz de volta a nossa dimensão perdida. O que é profundamente verdadeiro só se deixa dizer bem, como atestam os sabios antigos, por pequenas estórias e raramente por conceitos. Às vezes quando imaginamos que nos perdemos, é então que nos encontramos. É o que esta estória nos quer comunicar: um desafio para todos.
“Era uma vez um eremita que vivia muito além das montanhas de Iguazaim, bem ao sul do deserto de Acaman. Fazia bem 30 anos que para lá se recolhera. Algumas cabras lhe davam o leite diário e um palmo de terra daquele vale fértil lhe dava o pão. Junto à cabana esgueiravam-se algumas ramas de videira. Durante o ano todo, sob as folhas de palmeira de cobertura, abelhas vinham fazer suas colméias.
“Há 30 bons anos que por aqui vivo! …”, suspirou o monge Porfiro. “Há 30 bons anos! …”. E, sentado sobre uma pedra, o olhar perdido nas águas do regato que saltitavam entre os seixos, deteve-se neste pensamento por longas horas. “Há 30 bons anos e não me encontrei. Perdi-me para tudo e para todos, na esperança de me encontrar. Mas perdi-me irremediavelmente !”
Na manhã seguinte, antes de o sol nascer, de parco farnel aos ombros e semi-rotas sandálias aos pés, pôs-se a caminho das montanhas de Igazaim, após a reza pelos peregrinos. Ele sempre subia as montanhas, quando, sob forças estranhas, seu mundo interior ameaçava desabar. Ia visitar Abba Tebaíno, eremita mais provecto e mais sábio, pai de uma geração toda de homens do deserto. Vivia ele sob um grande penhasco, de onde se podia ver lá embaixo os trigais da aldeia de Icanaum.
“Abba, perdi-me para encontrar-me. Perdi-me, porém, irremediavelmente. Não sei quem sou, nem para que ou para quem sou. Perdi o melhor de mim mesmo, o meu próprio eu. Busquei a paz e a contemplação, mas luto com uma falange de fantasmas. Fiz tudo para merecer a paz. Olha meu corpo, retorcido com uma raiz, retalhado de tantos jejuns, cilícios e vigílias! … E aqui estou, roto e combalido, vencido pelo cansaço da procura.”
E dentro da noite, sob uma lua enorme, iluminando o perfil das montanhas, Abba Tebaíno, sentado à porta da gruta, ficou a escutar com ternura infinita as confidências do irmão Porfiro.
Depois, num destes intervalos onde as palavras somem e só fica a presença, um gatinho que já vivia há muitos anos com o Abba, veio se arrastando de mansinho até a seus pés descalços. Miou, lambeu-lhe a ponta reta do burel, acomodou-se e pôs-se, com grandes olhos de criança, a contemplar a lua que, como alma de justo, subia silenciosa aos céus.
E, depois de muito tempo, começou o Abba Tebaíno a falar com grande doçura:
“Porfiro, meu filho querido, deves ser como o gato; ele nada busca para si mesmo, mas espera tudo de mim. Toda a manhã aguarda ao meu lado um pedaço de côdea e um pouco de leite desta tigela secular. Depois, vem e passa o dia juntinho a mim, lambendo-me os pés machucados. Nada quer, nada busca, tudo espera. É disponibilidade. É entrega. Vive por viver, pura e simplesmente. Vive para o outro. É dom, é graça, é gratuidade. Aqui, junto a mim deitado, contempla inocente e ingênuo, arcaico como o ser, o milagre da lua que sobe, enorme e abençoada. Não se busca a si próprio, nem mesmo na vaidade íntima da auto-purificação ou na complacência da auto-realização. Ele se perdeu irremediavelmente, para mim e para a lua…É a condição de ele ser o que é e de encontrar-se.
E um silêncio profundo desceu sobre a boca do penhasco.
Na manhã seguinte, antes de o sol nascer, os dois eremitas cantaram os salmos das Matinas. Seus louvores ecoaram pelas montanhas e fizeram estremecer as fímbrias do universo. Depois, deram-se o ósculo da partida. O irmão Porfiro, de parco farnel à costas e semi-rotas sandálias aos pés, retornou ao seu vale, ao sul do deserto de Acaman. Entendeu que para encontrar-se devia perder-se na mais pura e singela gratuidade.
Contam os moradores da aldeia próxima que, muitos anos depois, numa profunda e quieta noite de lua cheia, eles viram no céu um grande clarão. Era o monge Porfiro que subia, junto com a lua, à imensidão infinita daquele céu delirantemente faiscado de estrelas. Agora não precisava mais perder-se porque se havia definitivamente encontrado”.
Waldemar Boff (um dos meus 10 irmãos) estudou nos USA, é educador popular e camponês.
fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/
10/04/2014
O homem moderno perdeu o sentido da contemplação, de maravilhar-se diante das águas cristalinas do riacho, de encher-se de espanto face a um céu estrelado e de extasiar-se diante dos olhos brilhantes de uma criança que o olha interrogativa. Não sabe o que é o frescor de uma tarde de outono e é incapaz de ficar sozinho, sem celular, internet, televisão e aparelho de som. Ele tem medo de ouvir a voz que lhe vem de dentro, aquela que nunca mente, que nos aconselha, nos aplaude, nos julga e sempre nos acompanha. Essa pequena estória de meu irmão Waldemar Boff, que tenta pessoalmente viver no modo dos monges do deserto, nos traz de volta a nossa dimensão perdida. O que é profundamente verdadeiro só se deixa dizer bem, como atestam os sabios antigos, por pequenas estórias e raramente por conceitos. Às vezes quando imaginamos que nos perdemos, é então que nos encontramos. É o que esta estória nos quer comunicar: um desafio para todos.
“Era uma vez um eremita que vivia muito além das montanhas de Iguazaim, bem ao sul do deserto de Acaman. Fazia bem 30 anos que para lá se recolhera. Algumas cabras lhe davam o leite diário e um palmo de terra daquele vale fértil lhe dava o pão. Junto à cabana esgueiravam-se algumas ramas de videira. Durante o ano todo, sob as folhas de palmeira de cobertura, abelhas vinham fazer suas colméias.
“Há 30 bons anos que por aqui vivo! …”, suspirou o monge Porfiro. “Há 30 bons anos! …”. E, sentado sobre uma pedra, o olhar perdido nas águas do regato que saltitavam entre os seixos, deteve-se neste pensamento por longas horas. “Há 30 bons anos e não me encontrei. Perdi-me para tudo e para todos, na esperança de me encontrar. Mas perdi-me irremediavelmente !”
Na manhã seguinte, antes de o sol nascer, de parco farnel aos ombros e semi-rotas sandálias aos pés, pôs-se a caminho das montanhas de Igazaim, após a reza pelos peregrinos. Ele sempre subia as montanhas, quando, sob forças estranhas, seu mundo interior ameaçava desabar. Ia visitar Abba Tebaíno, eremita mais provecto e mais sábio, pai de uma geração toda de homens do deserto. Vivia ele sob um grande penhasco, de onde se podia ver lá embaixo os trigais da aldeia de Icanaum.
“Abba, perdi-me para encontrar-me. Perdi-me, porém, irremediavelmente. Não sei quem sou, nem para que ou para quem sou. Perdi o melhor de mim mesmo, o meu próprio eu. Busquei a paz e a contemplação, mas luto com uma falange de fantasmas. Fiz tudo para merecer a paz. Olha meu corpo, retorcido com uma raiz, retalhado de tantos jejuns, cilícios e vigílias! … E aqui estou, roto e combalido, vencido pelo cansaço da procura.”
E dentro da noite, sob uma lua enorme, iluminando o perfil das montanhas, Abba Tebaíno, sentado à porta da gruta, ficou a escutar com ternura infinita as confidências do irmão Porfiro.
Depois, num destes intervalos onde as palavras somem e só fica a presença, um gatinho que já vivia há muitos anos com o Abba, veio se arrastando de mansinho até a seus pés descalços. Miou, lambeu-lhe a ponta reta do burel, acomodou-se e pôs-se, com grandes olhos de criança, a contemplar a lua que, como alma de justo, subia silenciosa aos céus.
E, depois de muito tempo, começou o Abba Tebaíno a falar com grande doçura:
“Porfiro, meu filho querido, deves ser como o gato; ele nada busca para si mesmo, mas espera tudo de mim. Toda a manhã aguarda ao meu lado um pedaço de côdea e um pouco de leite desta tigela secular. Depois, vem e passa o dia juntinho a mim, lambendo-me os pés machucados. Nada quer, nada busca, tudo espera. É disponibilidade. É entrega. Vive por viver, pura e simplesmente. Vive para o outro. É dom, é graça, é gratuidade. Aqui, junto a mim deitado, contempla inocente e ingênuo, arcaico como o ser, o milagre da lua que sobe, enorme e abençoada. Não se busca a si próprio, nem mesmo na vaidade íntima da auto-purificação ou na complacência da auto-realização. Ele se perdeu irremediavelmente, para mim e para a lua…É a condição de ele ser o que é e de encontrar-se.
E um silêncio profundo desceu sobre a boca do penhasco.
Na manhã seguinte, antes de o sol nascer, os dois eremitas cantaram os salmos das Matinas. Seus louvores ecoaram pelas montanhas e fizeram estremecer as fímbrias do universo. Depois, deram-se o ósculo da partida. O irmão Porfiro, de parco farnel à costas e semi-rotas sandálias aos pés, retornou ao seu vale, ao sul do deserto de Acaman. Entendeu que para encontrar-se devia perder-se na mais pura e singela gratuidade.
Contam os moradores da aldeia próxima que, muitos anos depois, numa profunda e quieta noite de lua cheia, eles viram no céu um grande clarão. Era o monge Porfiro que subia, junto com a lua, à imensidão infinita daquele céu delirantemente faiscado de estrelas. Agora não precisava mais perder-se porque se havia definitivamente encontrado”.
Waldemar Boff (um dos meus 10 irmãos) estudou nos USA, é educador popular e camponês.
fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/
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